Há muito tempo eu venho me perguntando como o homem é capaz de tantas barbáries. De onde vem tanta violência? Essa necessidade cotidiana de ver o sangue de outros homens escorrer, de onde vem?
Outra madrugada, assisti novamente “Sete Anos no Tibet”, a história da invasão chinesa e o massacre de milhares de monges pacifistas. Ano passado vi “Hotel Ruanda”, a guerra civil que matou quase um milhão de pessoas em apenas cem dias, em 1994. Sem falar do que vemos todos os dias no nosso país, onde chegaram ao extremo de achar “normal” o fato de policiais matarem civis inocentes… Como explicar? Por quê?
Toda vez que penso em episódios como estes, guerras mundiais, invasões, Iraque, 11 de setembro, conflitos religiosos, Vietnã, Vidigal, Morro do Alemão… sinto enjôo! Me dá náuseas ver até onde o homem consegue ir em troca de poder, dinheiro, dominação, drogas, status, Deus… Por quê?
No documentário “Noticias de uma guerra particular”, dirigido por João Moreira Salles, o ex-chefe da Policia Civil do Rio de Janeiro, Hélio Luz, expressa toda a sua indignação com a situação da violência nos morros cariocas, isso há mais de dez anos atrás, e, em certo momento, faz uma pergunta bem simples, mas que até hoje não esqueci:
“Como é que se produz arma no final do século? Pra que se produz um fuzil com 700 tiros por minuto no final do século? Já não caiu o muro? Caiu. Então, qual é o problema? “
É assim que me sinto quando sou bombardeado com tanta violência. Qual é o problema? Por quê?
Quando é que a minha náusea vai passar? Se é que ela vai passar um dia…
Gustavo Zonta – que acha que vai morrer com náuseas…

