Rubber Soul

maio 6, 2008

Confiando levemente nos meus registros de infância, não muito bem guardados pela minha memória imaginativa e limitada, eu me lembro de ter mais ou menos uns 10 anos e ter saído de casa para ir ao shopping com os meus pais. Na época, se eu realmente tinha dez anos, deveria ser 1995 ou 1996 (certamente era década de 90). Eu estava nos primeiros passos do meu curso de violão, começando a fazer as primeiras pestanas e trastejando com fidelidade. Lembro de ver meus amigos e vizinhos escutando músicas eletrônicas, funk e alguma coisa de Legião Urbana.

No meu violão daqueles anos, que hoje mais parece um cavaquinho de seis cordas, eu arranhava Asa Branca, alguma coisa de Roberto Carlos (como é grande o meu amor por você) e Sérgio Reis (menino da porteira, é claro). Mal sabia eu que os mis, lás e dós que eu primariamente seqüenciava nas cordas de aço do curto braço de madeira formavam melodias de grandes clássicos da música popular brasileira. Anos mais tarde eu iria descobrir isso, mas, naqueles dias, eram apenas as músicas da aula de violão.

Para falar a verdade, essas não eram as músicas que agradavam os meus ouvidos ou, então, faziam eu bater o meu pezinho no chão. Lembro sim, deles baterem, ainda timidamente, no assoalho do carro de um primo meu, quando ele colocava no som do Uno aquela fitinha especial. Eu ria toda vez que pegava a pequena capa de plástico na mão: um bebê nadava nuzinho em direção a uma nota de um dólar. Eu não tinha a mínima idéia que estava segurando nas mãos um dos grandes clássicos do rock mundial de todos os tempos, o disco Nevermind, do Nirvana. Com músicas que são eternamente jovens e que mexeram com a minha cabeça de criança. Foi a felicidade quando consegui acertar pela primeira vez o solo inicial de “come as you are”. Hoje parece tão fácil, mas naquela época era impossível. Talvez, os culpados fossem os dedos muito curtos ou a mão pequena. É, provavelmente.

Como eu disse no começo de tudo, antes de relembrar essas pequenas passagens da minha formação musical infanto-juvenil, eu estava indo com meus pais para o shopping. Sim, estava, e levava comigo uma idéia fixa, martelando dentro da minha cabeça: “vou pedir de presente o CD da melhor banda de todos os tempos”. Todos falavam deles, tinham sido os melhores. Quatro ingleses que revolucionaram o jeito de se fazer música: Os Beatles. Com aquela idade, é claro que eu não tinha a mínima idéia do que iria levar para casa e nem do quão importante eles tinham sido para o rock mundial.

Incumbido da missão de sair do shopping com um CD da melhor banda de rock do mundo, fui logo carregando meus pais para todas as lojinhas de música. Depois de algumas andanças, escolhe aqui e escolhe ali, finalmente encontrei, com a ajuda do meu pai, uma coletânea que parecia trazer músicas de várias fases da carreira da banda. Era o primeiro CD que eu realmente pedia para que meus pais comprassem para mim. A capa do álbum trazia pequenas fotos das capas dos discos de estúdio dos Beatles. Na verdade, eram dois CDs que traziam imagens de meias maças pintadas em cima, o que eu achei o maior barato. Era o primeiro álbum da serie de coletâneas Anthology, o que, é claro, eu não sabia, mas tinha certeza de que levava pra casa dois CDs da melhor banda de todos os tempos.

Os anos passaram, eu mudei de cidade, aprendi a tocar violão um pouco melhor e ganhei alguns anos de idade também. Mas, minha paixão e admiração pelos Beatles se mantiveram e aumentaram muito nos últimos meses. Dias atrás, não sei de onde surgiu a idéia, resolvi sentar e escutar cronologicamente a discografia da banda. De “Please, please me” a “Let it be”, para tentar finalmente entender porque durante a minha vida eu ouvi as pessoas dizerem, e repetirem, que foi a melhor banda de todos os tempos.

Agora eu entendo porque. Não sei se eles realmente formaram a melhor banda de todos os tempos, talvez nem seja possível afirmar isso, e também não entendo tanto assim de música para dizer que eles revolucionaram o jeito de se fazer rock’n’roll, acredito que sim. Mas, o que eu sei de verdade mesmo, é que as músicas de John Lennon (guitarra e vocal), Paul McCartney (baixo e vocal), George Harrison (guitarra e vocal) e Ringo Starr (bateria e vocal) de alguma forma mexem comigo. Isso quer dizer que quando eu estou ouvindo Beatles eu sou mais feliz. É por isso que o nome do meu blog é em homenagem ao quarteto inglês que é trilha sonora praticamente indispensável dos meus dias.

Gustavo Zonta

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4 Respostas to “Rubber Soul”

  1. aline Says:

    Quisera eu ganhar dos meus pais um Cd do beatles, mas eu aprendi a gostar de Elis com a minha mãe. E que tu tem um bom gosto musical, isso eu já sei a bastante tempo, não desde os teus 10 anos, mais digamos que nos últimos três anos… han han!

  2. Fernando Says:

    Arrumou isso aqui?


  3. O autor deste post está me devendo a discografia dos Beatles.

    Vou protestar em cartório.

  4. Davi Lucena Says:

    Entrei no seu blog porque achei o nome um tanto familiar. Uma vez dentro dele, e lendo este post, minhas suspeitas se confirmaram: tinha realmente a ver com o Rubber Soul.
    Eu tinha uns oito quando ouvi os Beatles pela primeira vez, por influência dos meus irmãos mais velhos. O grupo já havia se separado há uns sete anos. Ainda era o tempo de LP, os famosos bolachões, e dos compactos, uns disquinhos pequenos que talvez você não tenha alcançado. Em um desses disquinhos havia uma música no lado B chamada “I feel fine”. Eu não entendia patavina o que dizia, mas ouvia sem parar na vitrola lá de casa. Depois disso, foi um pulo para que eu começasse a devorar todas as canções dos cabeludos. Passados uns 30 anos, eu ainda gosto pra caramba dos caras e admiro quando vejo alguém de pouca idade, infantil mesmo, dizer que gosta dos Beatles. É fascinante imaginar como uma banda conseguiu se estender por tanto tempo e incutir-se na cabeça das pessoas através das gerações. Parece até religião!!! 🙂


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