Pequenos Príncipes

maio 8, 2008

Eu não lembro muito bem, você provavelmente também não deve lembrar de muitos detalhes. Poucos guardam intactos na memória aqueles momentos vividos há anos atrás, sejam eles mais ou menos distantes. Mas de uma coisa tenho certeza: todos nós sentimos saudades. Por quê? Ah, talvez seja justamente porque esquecemos ou porque ficaram apenas as boas lembranças, ou ainda, simplesmente porque vivem dizendo por aí que a infância é a melhor época de nossas vidas. E não é?

A primeira lembrança quando me vejo criança é das festas de aniversário preparadas pela minha mãe. Bolos gigantescos enfeitados minuciosamente, brigadeiros de vários tipos e, claro, os presentes. Mas, o mais gostoso mesmo era ver a casa cheia de amigos. Você sabe, quando somos crianças amizade é coisa séria. Quem era o seu melhor amigo ou amiga? É bem provável que eles não sejam mais os mesmos. As coisas mudam, nós mudamos, conseqüências de nos tornarmos gente grande.

Eu cresci em uma cidade pequena do interior de Santa Catarina e mesmo se fosse uma metrópole a noção de mundo quando somos crianças é um tanto reduzida. Como planetas de pequenos príncipes. A escola, os cantos da casa, a rua. A última opção sempre me atraiu mais. Era chegar da aula e correr para fora do ninho. Naquele tempo, todas as crianças viviam na rua e ninguém precisava se preocupar. A rua era o palco das artes, convivi com grandes artistas durante toda minha infância.

Entre uma arte e outra, brincávamos. Às vezes, até o anoitecer. Nos matos, nas casas abandonadas, no campinho de futebol de chão batido. Nosso esporte preferido, subir em árvores. Hoje, elas até podem parecer pequenas, mas um dia foram enormes. Pega-pega, bolinha de gude, esconde-esconde. Lembra como era bom ficar escondido até o último segundo e poder salvar todos os amigos no final? Prazeres que só a infância pode proporcionar.

Ah, quanta saudade de apanhar jabuticabas, goiabas e comer elas fresquinhas, ainda pendurado em cima das plantas. As frutas de hoje certamente não têm o mesmo gosto. Falta alguma coisa. Talvez ingenuidade, um pouco de sinceridade e inocência. Sabores da infância.

Mas aí, de uma hora pra outra, o tempo resolve passar, muito mais rápido do que podíamos imaginar. Como num estalar de dedos nos vemos quase adultos, sentados na frente de um computador narrando nossos dias de criança e sentindo saudades daquele tempo. Saudades de uma época em que tudo era mais simples, nossa maior preocupação era brincar, ir para a escola ver os amigos e se aventurar pelo nosso pequeno universo. Éramos pequenos príncipes entre rosas, vulcões, raposas e baobás. Lembra?

É engraçado, quando somos pequenos queremos porque queremos ser grandes, crescemos e sonhamos em voltar à infância. Coisas de adultos. Se você tiver um tempo, peça para uma criança, talvez ela saiba te explicar.

…crônica escrita em alguma aula do curso de jornalismo…

Gustavo Zonta – que sente muita falta de sua infância hoje… e sempre sentirá…

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2 Respostas to “Pequenos Príncipes”


  1. Essa eu já tinha lido.HA!

    A minha dessa aula está impublicável..hahahaha

  2. Bel Says:

    Amo o Pequeno Príncipe!
    Só não o amo mais do que amo vc!


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