Archive for julho, 2008

Por quê?

julho 22, 2008

Há muito tempo eu venho me perguntando como o homem é capaz de tantas barbáries. De onde vem tanta violência? Essa necessidade cotidiana de ver o sangue de outros homens escorrer, de onde vem?

Outra madrugada, assisti novamente “Sete Anos no Tibet”, a história da invasão chinesa e o massacre de milhares de monges pacifistas. Ano passado vi “Hotel Ruanda”, a guerra civil que matou quase um milhão de pessoas em apenas cem dias, em 1994. Sem falar do que vemos todos os dias no nosso país, onde chegaram ao extremo de achar “normal” o fato de policiais matarem civis inocentes… Como explicar? Por quê?

Toda vez que penso em episódios como estes, guerras mundiais, invasões, Iraque, 11 de setembro, conflitos religiosos, Vietnã, Vidigal, Morro do Alemão… sinto enjôo! Me dá náuseas ver até onde o homem consegue ir em troca de poder, dinheiro, dominação, drogas, status, Deus… Por quê?

No documentário “Noticias de uma guerra particular”, dirigido por João Moreira Salles, o ex-chefe da Policia Civil do Rio de Janeiro, Hélio Luz, expressa toda a sua indignação com a situação da violência nos morros cariocas, isso há mais de dez anos atrás, e, em certo momento, faz uma pergunta bem simples, mas que até hoje não esqueci:

“Como é que se produz arma no final do século? Pra que se produz um fuzil com 700 tiros por minuto no final do século? Já não caiu o muro? Caiu. Então, qual é o problema? “

É assim que me sinto quando sou bombardeado com tanta violência. Qual é o problema? Por quê?

Quando é que a minha náusea vai passar? Se é que ela vai passar um dia…

Gustavo Zonta – que acha que vai morrer com náuseas…

George Carlin

julho 15, 2008

Faz uma semana que eu vi pela primeira vez esse cara no palco e ele é simplesmente sensacional!! George Carlin faz do humor uma arma e dispara pra todo lado: religião, política, costumes, senso comum, american life style…

Não são apenas boas piadas contadas em busca de algumas risadas. É deboche, ironia pura aliada a críticas ferrenhas a respeito de tudo que nós, seres humanos, pensamos e a forma como encaramos a vida.

Mais que bons momentos de diversão, ver George Carlin é se confrontar com uma forma diferente de ver a vida. Impossível entrar em contato com o humor desse cara sem repensar algumas certezas que temos. Confesso que minha visão de mundo é muito parecida com a dele.

Aqui vai um vídeo de Carlin só pra dar água na boca:

É uma pena que Carlin tenha morrido no último dia 22 de junho, aos 71 anos. Com certeza ele fará falta!! E vou mais longe, provavelmente se ele lesse isso diria que esse negócio de dizer que vai fazer falta também é “bulshit”!

Tem mais videos legendados no youtube! Divirtam-se…

Até

Gustavo Zonta – que também pensa que “religion is bulshit”…

That thing you do

julho 4, 2008

Ontem, em mais uma das minhas madrugadas, tive o prazer de ver de surpresa no Intercine, mas pela quarta ou quinta vez, o filme That thing you do” (The Wonders: O Sonho Não Acabou, no Brasil), lançado em 1996. Um filminho daqueles que já passou mil vezes na sessão da tarde e, praticamente, todo mundo viu.

Bom, eu assisti de novo e parecia que era a primeira vez. Claro, tenho a felicidade de ter uma memória um tanto curta e já tinha esquecido o final do filme, mas nem foi tanto por isso. O filme é realmente muito bom, pra quem gosta de música e dos Beatles, como eu, é quase um clássico. Várias vezes durante o filme fiquei extasiado com a velha história de uma banda sair da garagem e estourar numa velocidade meteórica.

A cena que mais mexeu comigo foi quando a música That thing you do tocou pela primeira vez no rádio. O jeito que acontece, como os integrantes vão ouvindo a música, a montagem, a trilha, é sensacional. Pra mim, a melhor parte sem dúvidas. Deve ser mesmo emocionante ver uma música sua tocar no rádio. Gostaria de sentir um dia esse prazer. But… isso é assunto pra outro post! Tô querendo demais…

Voltando ao filme… Resolvi pesquisar na net algumas informações extras. Tive grandes surpresas. Sempre pensei, talvez você tenha pensado também, que The Wonders fosse uma banda de verdade que teria feito sucesso com uma música só nos anos 60, como milhares de bandas, e o filme fosse como um documentário ficcional. Estava errado! Mal sabia eu que tudo havia saído da cabeça de Tom Hanks.

Isso mesmo! The Wonders nunca existiu, fora das telonas, e, muito menos, That thing you do esteve nas paradas de sucesso na década de 60. Tudo é fruto da imaginação de Tom Hanks. Foi o ator americano quem idealizou e gravou o longa: escreveu o roteiro, produziu, dirigiu e, claro, atuou. Apenas uma pequena ponta, como empresário do grupo.

Se não bastasse tudo isso, grande parte da trilha sonora de That thing you do, que dispensa comentários, foi composta por Hanks. Além de “That thing you do”, o grande hit, outras canções poderiam com certeza alcançar o sucesso, como “Dance With Me Tonight”, “All My Only Dreams”, “I Need You” e “Little Wild One”. Uma trilha sonora difícil de se esquecer.

Bom, depois de tudo isso, só me resta ser ainda mais fã do Tom Hanks, e dizer que se você ainda não viu o filme, algo quase impossível, vá até a locadora e alugue, vale muito a pena! Não é um filme grandioso, as vezes parece até despretensioso, mas esconde uma ótima história.

Outra coisa, bem óbvia. Não deixem de ouvir a trilha sonora, baixem em algum site ai ou passem no www.youtube.com.br e digitem The Wonders que tem um montão de clips e trechos do filme lá. Depois passa aqui pra dizer o que achou.

Até!

Gustavo Zonta – que as vezes pensa: o que seria da vida sem a música?!