Archive for fevereiro, 2009

No meu iPod

fevereiro 11, 2009

As vezes temos um segundo de sorte e somos sonoramente surpreendidos. Hoje, dirigindo, buscava desordenadamente por uma música decente entre uma estação de rádio e outra. Mas, confesso, estava bem difícil! Me encontrava naquele limite da paciência, já com o dedo coçando para desligar o fluxo de lixo, quando eis que meus ouvidos percebem algo novo.

Uma batida diferente, um castelhano afinado, um refrão grudento. Tirei o dedo do off, aumentei o volume e deixei o som rolar. Não fazia a mínima idéia de quem tocava e, por alguns segundos, desfrutei daquela sensação indescritível de ser arrebatado por um som desconhecido. Pode ser uma viagem particular, mas sou apaixonado por novos sons.

Bandas alternativas fazem a minha cabeça sim. Não sou de gostar muito do que me é oferecido pela atual indústria musical. Cansei do trivial. Faz um tempo que procuro um “algo mais” sonoro. Vez ou outra me jogo nos porões virtuais do mundo, a procura de novas bandas. Talvez seja justamente pelo fato de poucos conhecerem, e de não tocarem muito por aí, que as canções “desconhecidas” me atraem mais. Mas, voltemos ao rádio do meu carro nesta manhã…

Inmigrantes era o nome da banda que embalava meu caminho. Nunca tinha sequer ouvido falar nos caras. Até no Google é difícil achar alguma coisa sobre a banda, que é Argentina. Achei um texto legal sobre os gringos neste link aqui http://www.uol.com.ar/musica/notas/html/200705301214/nota.htm

Cheguei em casa e me dei ao trabalho de baixar o CD deles, chamado Turistas en el Paraíso. 12 canções, a primeira faixa, Graffiti, foi a que me prendeu pelo rádio e é a melhor do álbum. Una chica de ayer, Babilonia e Golpe de suerte também merecem destaque. Essas são as mais dançantes, o resto é mais melancólico. Aí, vai depender do seu gosto, eu geralmente fico com aquelas que me fazem bater o pé!

No mais, nada muuuuuito mirabolante. Uma musiquinha boa de se ouvir e um sotaque novo, que, infelizmente, é raro chegar por aqui. Estive na Argentina ano passado e ouvi muita coisa boa por lá! Pena que não anotei tudo.

Enfim, hoje valeu a pena ligar o rádio, estava com saudades de algo de lá. Além do mais, é sempre bom algo novo para os ouvidos calejados.

 

Um aperitivo…

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Pra ver se cola

fevereiro 5, 2009

Fiz uma viagem no tempo. A música me levou. Um toca discos, um vinil do Trem da Alegria e lá estava eu de volta aos meus poucos anos de idade. A capa, bem colorida, ainda estava na memória. Alguns trechos das músicas, não sei como, também permaneceram. Mas, faz tanto tempo… Minha infância parece um lugar tão distante.

Cresci em uma cidade pequena e, por causa disso, fui uma criança “de verdade”. Brinquei de esconde-esconde, amarelinha, comandos em ação, joguei futebol até anoitecer, ralei o joelho de bicicleta, subi em árvores e, também, delas cai. A rua era, praticamente, um parque de diversões. Limitado pelo toque de recolher das mães de plantão.

– Hora de tomar banho!

Minha geração teve infância de verdade! Digo isso, porque sem joelho ralado, sem aventuras homéricas com os amigos e sem salvar todos no esconde-esconde… ser criança pra que? Ou eu cresci, e deixei de ser e ver de verdade as crianças, ou parece que tudo isso se perdeu um pouco. Videogame, computador, TV, celular? Que criança queria saber dessas coisas. A rua estava lá, a nossa espera e não podíamos desapontá-la.

É uma pena saber que isso mudou tanto e que as crianças de hoje parecem cada vez mais adultas. Uma pena que o Trem da Alegria acabou e a trilha musical infantil ficou perdida no tempo. Uma pena ver que a rua não é mais lugar de criança…

Realmente, uma pena…

Ou, será que não? Será que fui eu que cresci, fiquei (quase) adulto e vejo o passado com demasiada nostalgia. Será que as crianças de hoje são mais felizes do que nos éramos? Será?

Lembra?